Entrevista com o representante do RTF

Luisa Andrade

Coimbra/PT

Conversamos com Luisa Andrade (Coimbra/PT) sobre seu papel no RTF e suas ideias sobre o programa

Em primeiro lugar, você poderia falar um pouco sobre você e seu desenvolvimento profissional?

O meu nome é Luísa Costa Andrade, sou radiologista geral e terminei recentemente o internato complementar de Radiologia (2016), que realizei no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. A minha área de diferenciação é em Radiologia abdominal e a atividade formativa inerente decorreu no meu hospital de origem sob orientação do Prof. Dr. Filipe Caseiro Alves, no Hospital Erasme em Bruxelas sob orientação do Prof. Dr. Celso Matos e no Hospital Académico de Maastricht sob orientação da Prof. Dra. Regina Beets-Tan. Apresentei inúmeros trabalhos em reuniões científicas, tendo obtido algumas distinções nacionais e internacionais, publiquei alguns trabalhos científicos e fui co-autora de dois capítulos em livros. Participei ainda na organização de cursos / congressos e em alguns trabalhos de investigação. Tive oportunidade de ser assistente convidada da disciplina de imagiologia e leccionar para os alunos da Faculdade de Medicina de Coimbra. Desde Março de 2015 até à presente data pertenço ao Board do RTF.

Você trabalhou por quase dois anos como membro do Conselho do Fórum de Estagiários de Radiologia da ESR. Quais foram as principais conquistas do RTF nesse período?

A principal conquista foi a aprovação dos termos de referência pelo conselho executivo da Sociedade Europeia de Radiologia (ESR) que conferiram ao RTF o estatuto de subcomité da ESR. Algumas outras conquistas foram a representação direta do RTF em vários comités e subcomités da ESR, a realização com sucesso de vários inquéritos com elevado número de participantes, a colaboração com o Comité de Educação ESR na revisão dos currículos de internato e de pré-graduação e na melhoria e promoção da plataforma e-Learning bem como dos programas Invest in the Youth e Rising Stars.

Tendo participado do ECR diversas vezes, o que, na sua opinião, destaca o ECR entre outros congressos? Quais são as sessões que você mais espera no ECR 2017?

O ECR é, anualmente, um evento memorável a todos os níveis. A dimensão do congresso, com quase 26 mil participantes em 2016 vindos de cerca de 133 países, permite a reunião dos melhores investigadores e radiologistas de renome de todas as áreas da Radiologia, possibilitando a partilha de conhecimento e a discussão do estado da arte na Radiologia. Distingue-se dos restantes congressos pela participação massiva de todas as sociedades nacionais, sociedades das sub-especialidades e pela presença de várias sociedades das ciências aliadas à Radiologia e obviamente pela excelência científica e educacional!

Além disso, devo frisar que pessoalmente, uma das características do ECR que mais prezo tem que ver com a existência do Programa E (European Excellence in Education), com sessões com diferentes níveis de complexidade e sobretudo com o Programa Rising Stars direcionado sobretudo para os alunos e residentes e com sessões dedicadas aos vários níveis de diferenciação. O incontornável programa Invest in the Youth permite também que vários internos tenham a oportunidade de darem a conhecer os seus trabalhos e estarem presentes num dos maiores congressos de radiologia mundial e assume-se como uma das mais valias do ECR.

No ECR 2017 as sessões que mais espero são obviamente aquelas organizadas pelo RTF nomeadamente as Highlighted Lectures e o RTF Quiz e aquelas dedicadas à Radiologia Abdominal, a minha área de interesse. No entanto, se por algum motivo não conseguir assistir às sessões que pretendo, existe o ECR online, outra mais valia do ECR!

Como você descreveria a situação dos residentes no seu país?

Atualmente, o internato de Radiologia em Portugal demora 5 anos, sendo o último ano de diferenciação e termina com um exame nacional com critérios de qualidade semelhantes aos do Diploma Europeu em Radiologia (EDIR). A maioria dos internos tem as rotações específicas de acordo com a técnica de imagem (ecografia, tomografia computorizada, ressonância magnética) e com menor expressão de acordo com os diferentes sistemas orgânicos (cabeça e pescoço, tórax, músculo-esquelético...).

Na generalidade considero que a maioria dos internos têm uma boa formação, terminando o programa de internato bem preparados para o exercício autónomo como radiologistas. No entanto, há ainda algumas discrepâncias a nível dos diferentes centros a que pertencem, sendo que em cada centro há áreas de melhor e pior formação.

O programa de internato encontra-se em reorganização, sendo que se espera que o currículo nacional se torne mais semelhante e adaptado ao Currículo Europeu de Radiologia da ESR.

Além disso, uma grande mais valia dos internos portugueses, trata-se da existência de vários cursos educacionais providenciados gratuitamente pela Escola da Sociedade Portuguesa de Radiologia direcionados exclusivamente para os internos dos últimos anos de formação e com vista à preparação para o exame final.

Se você pudesse mudar uma coisa sobre a situação atual dos residentes no seu país, o que seria?

Gostaria que os internos em Portugal tivessem mais incentivo e conseguissem mais apoio dos respectivos serviços de Radiologia e administrações hospitalares no desenvolvimento e realização de projectos de investigação. Além disso gostaria que se criassem estágios organizados para as diferentes subespecialidades da Radiologia, nos respectivos centros de referência.